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Agronegócio brasileiro tem vantagens para competir com países da Europa (Foto: Pixabay)
Agronegócio brasileiro tem vantagens para competir com países da Europa (Foto: Pixabay)

Entenda!

Saiba as vantagens do agronegócio brasileiro sobre os países europeus

Brasil sai em vantagem competitiva devido fatores climáticos e tecnológicos

Nos últimos anos, houve um considerável aumento na produtividade do agronegócio brasileiro. Fatores como tecnologia e clima conferem ao país uma vantagem competitiva em relação à Europa. Nas terras ainda revestidas pelos restos da soja recém-colhida, por exemplo, as plantadeiras já preparam o solo para a próxima safra, garantindo que o milho seja semeado a tempo de aproveitar as chuvas.

O produtor rural Sidney Flach declara (via G1): “Eu quero colher a minha soja e plantar o milho no máximo até o dia 15 de fevereiro, que eu acredito, pela experiência que eu tenho, que a chuva este ano vai cortar cedo”.

Apesar deste ser o primeiro passo, é preciso ir além para que se possam colher mais sacas a cada ano: “Melhorei a tecnologia tanto de semente como de adubo. Eu melhorei a adubação do milho. Eu quero ver se eu colho mais do que eu colhi ano passado. Eu quero ver se eu colho aí uns 10% na média a mais do que no ano passado”, continua.

Antigamente, colher milho durante o inverno em Sinop, Mato Grosso, era impensável. Até a década de 1970, o Brasil limitava-se à colheita de safra de verão. A expansão para o Cerrado mudou esse cenário, possibilitando duas safras por ano: uma no inverno e outra no verão. A urgência em aumentar a produção de alimentos era evidente na época, conforme relatado pelo pesquisador do Centro de Estudos FGV Agro, Felippe Serigati.

“Nós éramos importadores líquidos de alimentos. Ao longo dos anos 1980, teve situação ali, na crise da dívida, de a gente ter que decidir o que a gente faz: importa alimento ou importa combustível? Como é que a gente conseguiu virar o jogo? Justamente com tecnologia, teve um grande papel a conquista do Cerrado brasileiro. E não só que a gente deixou de ser importador líquido de alimento, não. De acordo com a FAO, desde 2017, nós somos, de forma individual, o maior exportador líquido de alimentos para o resto do mundo. Como é que a gente conseguiu fazer isso? Justamente com tecnologia”, explica.

Confira alguns feitos:

  • Brasil passou de importador para maior exportador de milho do mundo em 2023, ultrapassando os Estados Unidos.
  • Safra de inverno, outrora vista como arriscada, foi quase quatro vezes maior que a safra de verão em 2023.
  • Produtividade das lavouras de milho na safra de inverno aumentou 11 vezes em pouco mais de quatro décadas.
  • Expansão da produção de milho abriu espaço para a soja, que se tornou predominante nos campos de verão, especialmente no Cerrado brasileiro.

Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa, conta ainda como a tecnologia foi de grande ajuda para que a região conseguisse reproduzir bons resultados, que eram liderados por locais com climas mais amenos: “Hoje, nós temos aqui na região o grande produtor de soja, que antigamente era o Sul do país. Nós temos produção de café, que era Paraná e São Paulo, hoje o grande produtor de café é o Cerrado brasileiro. E mais recentemente tem a história do trigo também”, relatou.

“O fator climático, nós temos sol o ano inteiro, nosso inverno é onde você tem mais iluminação. Chega a partir de abril, você praticamente não vê nuvem no céu. Então tem um sol ali direto, incidência direto do sol. Então, isso assusta, assusta aqueles europeus. A gente sabe que por mais que eles queiram, nunca vão concorrer com a gente, porque a capacidade nossa, potencial de produção, é muito alta”, adicionou o engenheiro agrônomo Domingos Ribeiro de Carvalho.

O Brasil planta várias safras anuais, diferente de países como a França, cujos produtores protestam contra aumento da importação de produtos agrícolas devido ao inverno rigoroso. Aqui, uma segunda safra reduz custos e amplia a escala de produção, tornando a agropecuária mais competitiva.

“Vamos nos colocar no lugar daquele produtor europeu. Ele está olhando um gigante que está tentando entrar agora nesse mercado, é natural que eles vão pedir alguma proteção, alguma barreira, para conseguir se proteger. Se colocar em pé de igualdade, eles vão ter enormes dificuldades de competir com produto brasileiro”, finalizou Felippe Serigati.

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